quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Câmara Federal


Fátima homenageia Djalma e Luiz Maranhão em sessão sobre a anistia

Em sessão solene de comemoração dos 30 anos da Lei da Anistia (Lei 6.638/79), realizada na Câmara dos Deputados, na noite desta segunda-feira, 31, a deputada Fátima Bezerra (PT-RN) fez uma homenagem aos militantes norte-rio-grandenses que lutaram contra a ditadura militar, sobretudo Djalma e Luiz Maranhão. A deputada também pediu mais agilidade na análise dos processos de anistia pelo Ministério da Justiça e abertura dos arquivos da ditadura.
A deputada iniciou seu discurso ressaltando a boa gestão de Djalma Maranhão quando prefeito de Natal. “O saudoso Djalma Maranhão, à época, prefeito de Natal, liderou uma equipe de homens e mulheres numa marcante gestão da história daquela cidade nas áreas da educação e da cultura.”
Fátima lembrou ainda o processo de exílio que levou Djalma à morte. “Djalma sequer teve o direito a ter o direito à anistia. Ele foi arrancado da função de prefeito, que exercia com respaldo popular, pela força bruta da ditadura militar e teve de se exilar no Uruguai. Djalma amava tanto o Brasil, amava tanto Natal, que não teve direito à anistia porque morreu antes, de saudade da sua terra. Morreu de saudade de Natal e do seu povo.”
Além dos dois militantes comunistas, a deputada Fátima homenageou também outras pessoas que participaram da luta contra a ditatura militar. “Também deram uma grande contribuição na época, o professor Moacir de Góes, recentemente falecido, a professora Mailde Ferreira, o militante Emanoel Bezerra — outro que foi brutalmente assassinado — , Luciano Almeida, Silvério, João Bosco, Pretextato, Bento Ventura, Juliano Siqueira, Mery Medeiros e tantos outros, que, por se empenharem na luta por um país democrático, tiveram suas trajetórias de vida afetadas pelo arbítrio.”
Por fim, a deputada Fátima cobrou mais agilidade da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça na análise dos processos de anistiandos e a abertura ao público de todos os arquivos da ditadura militar. “É importante renovarmos nossa cobrança para que se agilizem os processos de anistia, alguns companheiros, inclusive lá no meu Estado, já se foram sem ter tido o direito à reparação econômica. E quero aqui também me somar àqueles que continuam a luta no que diz respeito ao debate da imprescritibilidade do crime de tortura, bem como para que sejam escancarados os arquivos da ditadura. O povo brasileiro tem o direito de resgatar a memória.” (Fonte: Zizi Farias).